A corrida interna no Partido Socialista para a Câmara Municipal de Lisboa em 2029 já começou a dar os primeiros sinais. Álvaro Beleza, médico e presidente da SEDES, surge como a mais recente aposta de um setor do partido para disputar a capital.
Questionado sobre a eventualidade de assumir esse combate eleitoral, o dirigente socialista não fechou o cenário. “Nunca pensei nisso mas é óbvio que nunca se pode dizer nunca”, afirmou Álvaro Beleza ao Expresso.
Divisões internas e a sombra do “costismo”
A hipótese ganha tração num momento em que o nome de Pedro Siza Vieira, antigo ministro da Economia, voltava a reunir apoios na concelhia socialista da capital. A perspetiva de avançar com o ex-governante gerou desconforto em setores críticos que procuram afastar figuras centrais dos governos anteriores.
Para os apoiantes de Beleza, o médico representa uma alternativa capaz de romper com o que classificam de “personalidades requentadas do costismo”, numa alusão direta a Pedro Siza Vieira e a Duarte Cordeiro.
Perfil atípico fora dos cargos executivos
Com cinco décadas de filiação no PS, Álvaro Beleza apresenta um percurso distante dos circuitos tradicionais do poder local e governamental. Nunca exerceu funções como deputado, ministro ou autarca, tendo construído a sua carreira clínica na capital como diretor de serviços no Hospital de Santa Maria.
Entre 2011 e 2014, integrou a direção nacional do PS durante a liderança de António José Seguro, de quem se manteve próximo. Foi igualmente o autor da proposta das eleições primárias abertas a simpatizantes, modelo que acabou por ditar a vitória de António Costa sobre Seguro em 2014.
O calendário profissional joga a seu favor: a reforma hospitalar do médico deverá ocorrer em 2028, precisamente um ano antes do escrutínio autárquico. Ao mesmo tempo, a liderança da associação SEDES e a presença habitual em painéis de comentário televisivo conferem-lhe capacidade para atrair eleitorado além das fronteiras habituais do PS.
