Philip Nitschke deixa dispositivo de suicídio nos Países Baixos a 6 dias de votação no Reino Unido

Philip Nitschke durante palestra sobre morte assistida

Philip Nitschke, fundador da organização Exit International, decidiu deixar o seu novo dispositivo de morte assistida nos Países Baixos antes de se deslocar a Londres. O médico australiano temia que o protótipo fosse confiscado pelas autoridades alfandegárias britânicas à chegada.

A deslocação ocorreu escassos seis dias antes do debate parlamentar sobre a proposta de lei de morte assistida apresentada pela deputada Lauren Edwards. Membros do parlamento e ativistas tinham solicitado à ministra do Interior, Shabana Mahmood, que proibisse formalmente a entrada de Nitschke em território britânico.

Dr Philip Nitschke - also known as
Dr. Philip Nitschke, fundador da organização Exit International.

O funcionamento do colar “Kairos”

O plano inicial de Nitschke passava por demonstrar o funcionamento do dispositivo “Kairos” diante de uma plateia lotada no oeste da capital britânica. A sala reuniu dezenas de participantes, na sua maioria idosos interessados em métodos de suicídio assistido.

O equipamento é composto por dois balões que exercem pressão direta sobre a artéria carótida. A interrupção do fluxo sanguíneo conduz à perda de consciência em poucos segundos, seguida de morte cerebral.

The collar, called
Modelo do colar de suicídio assistido denominado Kairos.

Nitschke confirmou que o custo de produção do colar é baixo, mas que a perda do exemplar atrasaria a fase experimental. “Sentimos pressão por parte das autoridades sobre o que classificam como facultar informação perigosa a pessoas vulneráveis”, indicou o médico sobre as precauções tomadas na fronteira.

Dr Nitschk said he would conduct the first assisted suicide using the collar on a woman in Switzerland who would be his first
Philip Nitschke planeia a estreia do dispositivo com uma paciente na Suíça.

Testes previstos em território suíço

O ativista revelou que o primeiro procedimento com o colar “Kairos” está agendado para a Suíça, onde uma mulher será a primeira paciente a utilizá-lo. O responsável considera que a lentidão do processo legislativo no Reino Unido impulsiona a procura por opções externas.

Dr Nitschk shrugged off any controversy surrounding the collar (Pictured: Dr Nitschke lies down in a
Philip Nitschke deitado no interior da cápsula Sarco.

A operação das clínicas helvéticas

Carlos Cabrera, representante da clínica suíça Athanasios, marcou presença no encontro para esclarecer as regras do país helvético. A legislação suíça não restringe o procedimento a cidadãos nacionais nem exige diagnóstico de doença em estado terminal, pedindo apenas capacidade mental comprovada.

Entre 40 a 60 cidadãos britânicos já recorreram aos serviços da clínica Athanasios para terminar a vida. Questionado sobre os riscos judiciais para os familiares que acompanham os pacientes, Cabrera afirmou que os dados confidenciais permanecem sob proteção jurídica na Suíça.

O evento terminou com uma sessão prática sobre métodos caseiros de suicídio assistido. Para aceder a esta parte final, os presentes foram obrigados a assinar um documento de renúncia legal a declarar que não tinham sido coagidos ou influenciados pelo orador.

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