Nigel Farage revelou que a própria família lhe pediu para abandonar a vida política. A declaração surge após uma onda de suspeitas em torno da legalidade das doações financeiras ao Reform UK.
O líder partidário admitiu que os últimos meses foram difíceis, reconhecendo a falta de apoio em casa: “Pela primeira vez na minha carreira política, não tenho o apoio da minha família. Eles preferiam que eu arrumasse tudo e me fosse embora.”
A conferência anual da força política, realizada em Birmingham, acabou ensombrada por uma reportagem do Channel 4 com recurso a câmara oculta. As imagens mostram dois colaboradores próximos a sugerirem métodos para contornar a legislação eleitoral britânica e captar fundos externos, incluindo uma quantia de 500 mil libras.
Nigel Farage discursa na conferência anual do Reform UK em Birmingham.
Doação de 5 milhões e inquérito parlamentar
O assessor Dan Jukes e o responsável pelas políticas do partido, James Orr, foram suspensos enquanto decorre um inquérito interno. A direção do Reform UK nega qualquer irregularidade e assegura não ter recebido fundos ilícitos.
Paralelamente, decorre uma investigação da comissão parlamentar de ética a uma doação de cinco milhões de libras feita ao partido por Christopher Harborne, investidor no setor das criptomoedas.
Apesar da pressão interna e externa, Farage garantiu à BBC que não pensa em renunciar. “Quando a família nos pede isso quase a implorar, não é fácil. Mas penso que já ultrapassámos essa fase má”, afirmou.
Laure Ferrari assiste ao discurso de Farage na conferência do Reform UK.
Reunião com falsos doadores
Confrontado sobre a sua aparição nas gravações com os falsos doadores — preparadas pelo coletivo Verbatim Investigations —, Farage desvalorizou o encontro. Declarou que esteve no local apenas para cumprimentar as pessoas e que “nem sequer estava a ouvir”.
O dirigente criticou os membros da sua equipa envolvidos, sublinhando que falharam na verificação de antecedentes. “Ninguém deveria ser apresentado a mim sem uma triagem prévia”, frisou.
Nigel Farage em entrevista a Laura Kuenssberg da BBC no congresso partidário.
Pressão legal e pedidos de apreensão de dados
Trabalhistas e Liberais Democratas avançaram com queixas à Polícia Metropolitana de Londres, que confirmou estar a avaliar as informações recebidas.
Vários deputados conservadores apelaram à Comissão Eleitoral para que atue rapidamente. O deputado Joe Robertson defendeu a apreensão de discos rígidos e computadores nas instalações do Reform UK para preservar eventuais provas ao abrigo da legislação de 2000 sobre financiamento de partidos.
Farage alega que a operação jornalística faz parte de um plano coordenado para prejudicar a sua força partidária, sustentando que os eleitores mantêm a confiança na liderança que assumiu no círculo eleitoral de Clacton.



