Robert Jenrick anunciou este sábado um plano para cortar impostos a milhões de contribuintes nos primeiros 100 dias de um eventual governo liderado pelo Reform UK. O deputado pretende assumir o cargo de chanceler do Tesouro caso Nigel Farage vença as próximas eleições legislativas britânicas.
A proposta central passa por aumentar o limiar de isenção fiscal anual para as 15.000 libras (cerca de 17.500 euros), retirando 2,9 milhões de cidadãos da base de incidência do imposto sobre o rendimento. Segundo o partido, a medida poupará em média 1.000 libras por ano a uma família típica e impedirá que as reformas do Estado comecem a pagar tributação direta.
Compromisso de demissão em 100 dias
Jenrick declarou que este aumento representa a maior subida de sempre na isenção de impostos pessoais no país e comprometeu-se a deixar o cargo executivo caso não aprove a medida no prazo estabelecido.
O limite de isenção está congelado nas 12.570 libras desde 2021, com previsão oficial de vigência até 2031. Esta estagnação aliada à inflação tem arrastado mais contribuintes para escalões superiores. O próximo aumento das pensões estatais para 13.000 libras colocaria milhões de idosos a descontar imposto sobre o rendimento pela primeira vez.
Robert Jenrick na conferência do Reform UK em Birmingham.
O anúncio surge após uma crise interna decorrente de uma reportagem sob disfarce transmitida pela emissora Channel 4, que originou a suspensão dos assessores partidários Dan Jukes e James Orr por suspeitas de contorno à legislação eleitoral.
Impacto orçamental e cortes de despesa
O custo anual para as finanças britânicas foi avaliado em 17,7 mil milhões de libras no primeiro ano de aplicação, atingindo 21 mil milhões no quinto ano da legislatura. O objetivo a longo prazo do Reform UK é elevar o patamar isento até às 20.000 libras.
Robert Jenrick assumiu o compromisso de abandonar funções caso não reduza impostos no prazo prometido.
Jenrick defendeu que a perda de receita será compensada por uma redução orçamental de 80 mil milhões de libras, apontando para cortes nos seguintes sectores:
- Subsídios sociais e apoios de desemprego;
- Programas públicos de transição climática (Net Zero);
- Fundo de apoio e ajuda internacional ao desenvolvimento.
Reações da oposição e previsões eleitorais
No evento em Birmingham, Nigel Farage argumentou que a medida devolve incentivos ao trabalho e apontou o dedo ao Executivo liderado pelo primeiro-ministro Andy Burnham, prevendo que este convoque eleições legislativas na próxima primavera.
O Partido Trabalhista reagiu considerando a proposta uma tentativa de afastar as atenções do escândalo que abala a estrutura partidária do Reform UK, enquanto fontes conservadoras classificaram o ultimato de 100 dias como uma disputa estratégica interna entre Farage e Jenrick.


