Dez dias após o colapso de um glaciar na fronteira entre o Nepal e o Tibete ter desencadeado cheias devastadoras, as equipas de emergência retiraram sobreviventes do interior de complexos hidroelétricos soterrosos. Apesar do alívio pontual, cerca de 500 trabalhadores continuam retidos nas galerias subterrâneas.
A torrente massiva de gelo, lama e rochas causou pelo menos 1.300 mortos e deixou mais de 5.000 pessoas desaparecidas, segundo os balanços mais recentes das autoridades locais.
Três trabalhadores retirados com vida de túneis bloqueados
No sábado, as autoridades confirmaram o resgate de um cidadão chinês do projeto hidroelétrico Upper Trishuli-1. Com esta operação, subiu para três o número de funcionários resgatados com vida das galerias industriais daquela região.
Uma equipa conjunta constituída por militares do exército nepalês e peritos em catástrofes da Coreia do Sul localizou o homem no interior de um túnel de 225 metros de comprimento.
Equipas de socorro transportam um cidadão chinês resgatado no projeto hidroelétrico Upper Trishuli-1.
O trabalhador foi submetido a uma avaliação médica preliminar antes de ser retirado do local por via aérea.
Evacuação de helicóptero assistida por um socorrista militar durante o voo.
Os trabalhos de escavação prosseguem ininterruptamente durante a noite, com recurso a maquinaria pesada para remover toneladas de entulho que bloqueiam os acessos a cerca de meia dúzia de instalações energéticas.
Operações de socorro em Nuwakot
Fora dos túneis industriais, os militares registaram outro salvamento na localidade de Nuwakot. Uma mulher foi retirada com vida de uma habitação completamente submersa pelo lodo.
Resgate de uma mulher retirada com vida de uma habitação na localidade de Nuwakot.
A sobrevivente apresentava o corpo coberto de lama, tendo recebido água e agasalhos antes de ser transportada de helicóptero para um hospital em Catmandu.
Mulher resgatada envolta num cobertor pelas forças militares nepalesas.
Para manter as hipóteses de sobrevivência daqueles que continuam encurralados no subsolo, os operacionais instalaram canalizações especiais. O ministro do Interior do Nepal, Sudan Gurung, explicou que foi iniciada a injeção contínua de ar através de pequenas aberturas abertas nas barreiras de detritos.
Sobrevivência nas instalações de Trishuli 3A
Na sexta-feira anterior, dois operários nepaleses já tinham sido resgatados da central hidroelétrica Trishuli 3A após vários dias no escuro total.
Socorristas retiram um trabalhador através de uma abertura estreita no solo.
Os homens foram identificados como Sanjay Shah, encarregado mecânico de 30 anos, e Kabir Maharjan, supervisor mecânico de 45 anos. Ambos receberam assistência médica logo após a extração.
Operacionais transportam um dos trabalhadores resgatados da central elétrica.
«Estou tão feliz, sinto o meu coração mais leve», afirmou Amir Maharjan, irmão do supervisor resgatado, logo após ter recebido a notícia da sobrevivência do familiar.
Militares carregam operário salvo dos escombros durante a manhã de sexta-feira.
Condições extremas no interior das condutas
Kulman Ghising, antigo ministro da Energia e ex-responsável pelos projetos hidroelétricos do país, regressou à zona de impacto para apoiar a coordenação dos trabalhos.
«É impossível prever quanto tempo os trabalhadores conseguirão sobreviver, pois desconhecemos as condições reais dos túneis. Estimamos entre 300 trabalhadores retidos em seis a oito condutas. Com oxigénio e comida suficientes poderiam aguentar semanas, mas pelo que vi até agora, o cenário não é esse», detalhou Ghising.
Militares do Nepal trabalham nas operações de busca junto à entrada dos túneis hidroelétricos.
«Uma das condutas alcançadas estava completamente cheia de água e lama, sendo impossível perceber se existiam sobreviventes no interior. Noutra, depois de conseguirmos perfurar uma brecha, chamámos por respostas e ninguém respondeu», relatou o antigo governante.
«Toda a área foi destruída; muitas aldeias e complexos hidroelétricos foram simplesmente varridos do mapa. Temos de encontrar a nossa gente o mais depressa possível. É uma corrida desesperada contra o tempo», frisou.








