O Governo espanhol reforçou o dispositivo logístico na cidade autónoma de Ceuta com o envio de um segundo navio militar carregado de equipamento de alojamento. O navio de apoio Carnota transporta 166 paletes compostas por colchões, armações de cama metálicas e varões de dois metros, com atracação marcada para o cais de poente do porto ceutense.
Esta remessa surge poucos dias após a chegada do navio de ação marítima Tornado, que partiu de Las Palmas com 82 paletes de tendas de campanha, tendas de grandes dimensões e beliches modulares. Em menos de duas semanas, o Estado espanhol mobilizou quase 250 paletes de material logístico para o território.
Instalações fixas substituem a resposta de emergência
Ao contrário do primeiro carregamento, focado em material de campismo temporário, a carga transportada pelo Carnota é composta por estruturas metálicas pesadas. Trata-se de equipamento desenhado para montagens duradouras e não para estruturas provisórias de socorro imediato.
Fontes ligadas ao dispositivo no terreno sustentam que o tipo de mobiliário indica que o Executivo não pondera a devolução rápida nem a transferência dos cidadãos recém-chegados para a Península Ibérica. O cenário aponta para uma permanência prolongada na cidade autónoma.
A chegada contínua deste material alimenta os receios da população local de que Ceuta seja convertida, na prática, num centro de acolhimento a céu aberto, numa altura em que já existem recintos desportivos e dependências militares requisitados para alojamento.
Militares denunciam sobrecarga de trabalho
A operação logística desencadeou fortes críticas entre as forças armadas destacadas na região. A Associação de Tropa e Marinharia (ATME) veio a público questionar a capacidade operacional disponível para descarregar e montar todas as estruturas.
Os representantes militares sublinham que as unidades de logística se encontram no limite da sua capacidade e exigem saber se o Ministério da Defesa planeia enviar reforços humanos para apoiar as operações no enclave.
Pressão política no parlamento
A ATME reuniu com o presidente do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, entregando um conjunto de questões técnicas e operacionais que foram remetidas ao Ministério da Defesa durante o mês de agosto sem qualquer esclarecimento.
Feijóo assumiu o compromisso de levar estas dúvidas diretamente ao primeiro-ministro, Pedro Sánchez, durante o debate parlamentar no Congresso dos Deputados.
Onda de contestação estende-se a 260 municípios
O agravamento da crise migratória e a sensação de saturação no território motivaram manifestações em mais de 260 municípios em Espanha, organizadas sob o lema «Por Ceuta». A iniciativa coincidiu com as celebrações oficiais do Dia de Ceuta.
Madrid foi o principal foco dos protestos populares, com concentrações frente ao Congresso dos Deputados, na Praça de Cibeles, na Porta do Sol e na Praça de Callao, reunindo cidadãos e dirigentes partidários da oposição.
Os moradores de Ceuta continuam a queixar-se de um abandono progressivo por parte das autoridades centrais, alertando para o aumento de ocorrências criminais e para a degradação da vivência diária em bairros que foram parcialmente adaptados para a permanência de migrantes.
