Polícia de Espanha: Marrocos orientou entrada de dezenas de milhares de pessoas em Ceuta

Multidão na fronteira do enclave espanhol de Ceuta

O envolvimento das forças de segurança marroquinas

Um relatório da Polícia Nacional de Espanha concluiu que os agentes das forças de segurança de Marrocos orientaram, de forma deliberada, a entrada em massa de pessoas em Ceuta durante o mês de julho. A investigação aponta diretamente para a ação dos chamados ‘gendarmes’ marroquinos no terreno.

O documento secreto foi redigido por uma unidade de informações da polícia espanhola. Na passada segunda-feira, o dossiê foi formalmente submetido à juíza que investiga a passagem ilegal de dezenas de milhares de pessoas pelas fronteiras do enclave norte-africano.

Tensão no Ministério da Administração Interna

A existência do relatório não chegou à tutela pelos canais oficiais, mas sim através da imprensa. Foi o jornal digital El Español que noticiou inicialmente as conclusões operacionais, apanhando o governo de surpresa.

A reação do ministro da Administração Interna (MAI) de Espanha, Fernando Grande-Marlaska, foi imediata. O responsável enviou uma carta à cúpula diretiva da Polícia para exigir a validação do teor do documento e confrontar a hierarquia com as fugas de informação.

Exigência de explicações internas

Na missiva enviada, Grande-Marlaska pediu justificações claras por não ter recebido qualquer informação prévia e direta sobre os dados recolhidos pelas secretas. O episódio expõe uma fratura de comunicação entre a liderança política e as forças de segurança do Estado.

A pressão sobre Ceuta atingiu contornos drásticos no final de julho. Durante o pico dos acontecimentos, perante a dimensão da multidão que cruzava a fronteira, as autoridades locais admitiram mesmo avançar com um pedido para que fosse decretada a emergência nacional.

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