Multibanco: o sistema de 1985 que superou a Europa com mais de 90 operações

Multibanco: o sistema de 1985 que superou a Europa com mais de 90 operações

Enquanto a maioria das caixas automáticas pelo mundo opera estritamente para levantamentos de dinheiro, o sistema português consolidou-se como um balcão financeiro completo. A diferença de abordagem face a outros países europeus começou logo na génese do projeto.

Um modelo interbancário pioneiro desde 1985

Ao contrário de vários mercados onde cada instituição financeira desenvolveu terminais próprios e isolados, Portugal apostou num modelo único. Sob a gestão da Sociedade Interbancária de Serviços (SIBS), o Multibanco nasceu em 1985 desenhado para ser partilhado por todos os bancos.

Esta base centralizada permitiu coordenar a implementação de novos serviços com uma rapidez que superou o ritmo de grande parte do continente europeu.

A validação europeia e o salto nas funcionalidades

Em 2008, um relatório da Associação de Pagamentos do Reino Unido (APACS) revelou que, já em 2006, o sistema português era o mais funcional da Europa. Disponibilizava mais de 60 operações distintas, contrastando com modelos de países como França ou Noruega, focados essencialmente no levantamento de numerário.

Naquela altura, Portugal registava cerca de 1.690 caixas automáticas por milhão de adultos, atingindo uma das maiores densidades de rede do espaço comunitário.

Atualmente, o catálogo ultrapassa as 90 operações disponíveis. A rede processa desde o pagamento de serviços e impostos até ao carregamento de passes sociais, telemóveis, transferências bancárias diretas e emissão de licenças de pesca ou caça.

Da máquina física ao MB WAY

A arquitetura centralizada criada na década de 1980 serviu de alicerce para a modernização digital. Em 2015, a SIBS lançou o MB WAY, apontado como a primeira solução de pagamentos móveis instantâneos a operar na Zona Euro.

O desafio do acesso ao numerário

O alcance do Multibanco é também um fator de coesão territorial. De acordo com Mário Frota, mandatário nacional da associação Denária, a infraestrutura tem servido de garantia para que populações de diversas condições socioeconómicas não fiquem à margem do sistema bancário.

Apesar disso, a presença física das caixas automáticas enfrenta recuos no território nacional. Registos de 2022 do Banco de Portugal contabilizavam 1.276 freguesias sem qualquer ponto de acesso a dinheiro físico, abrangendo um universo de perto de 740 mil residentes.

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