A procura por crédito à habitação em Portugal atingiu um nível sem precedentes. Em julho, os bancos a operar no país concederam mais de 2,3 mil milhões de euros em novos empréstimos para a compra de casa.
Os dados, confirmados pelo Banco de Portugal, representam o valor mais elevado de sempre nos registos do regulador. Face ao mês anterior, o montante disponibilizado disparou 166 milhões de euros.
Paralelamente, o volume de créditos renegociados fixou-se nos 491 milhões de euros. Este indicador de renegociação recuou 109 milhões de euros em comparação com os registos de junho.
O efeito das medidas de apoio aos jovens
As famílias portuguesas continuam a assumir novos compromissos financeiros, absorvendo o impacto do encarecimento do crédito provocado pelo Banco Central Europeu (BCE).
O forte aumento nos novos financiamentos está diretamente ligado às recentes medidas estatais. A isenção parcial de impostos e a garantia pública, que permite financiar até 100% do valor do imóvel para jovens até aos 35 anos, impulsionaram o recurso aos balcões bancários.
Taxa mista é a escolha de eleição
O risco das taxas de juro alterou o perfil de contratação em Portugal. Em julho, 86% dos novos empréstimos para habitação foram fechados na modalidade de taxa mista.
Esta solução garante o pagamento de uma taxa fixa nos primeiros anos de contrato, passando posteriormente a indexar-se a uma taxa variável.

Custo médio do financiamento
O custo exigido pelos bancos reflete o aperto da política monetária. Nas operações com taxa mista, a taxa média aplicada subiu para os 2,83%.
Para quem arriscou contratar crédito com taxa totalmente variável, o cenário é mais pesado. Nestes novos contratos, a taxa de juro média escalou aos 3,19%.
Prestações sobem pelo 11.º mês consecutivo
A fatura mensal debitada pelas instituições bancárias continua a aumentar. A prestação média da totalidade dos empréstimos à habitação em vigor (o stock total) atingiu um novo máximo histórico de 441 euros.
O valor exige às famílias um encargo adicional de cinco euros face ao mês de junho. Se a comparação recuar até ao final de 2025, o aumento cifra-se nos 23 euros mensais.
O Banco de Portugal clarifica que esta escalada resulta de uma dupla pressão. As prestações dos contratos antigos estão a ser atualizadas em alta e os novos financiamentos já entram no sistema com mensalidades médias significativamente mais elevadas.
