Paula e Kevin Kinzer decidiram transformar lixo num projeto de habitação funcional. Em 1996, o casal construiu uma moradia com cerca de 218 metros quadrados nos arredores de Bend, no estado norte-americano do Oregon.
A casa, conhecida como “Earth Ship” (Nave Terrestre), tornou-se num caso de estudo sobre a reutilização de materiais descartados na construção civil.
O método de construção Earth Ship
O conceito original deste modelo habitacional surgiu em 1975, desenhado para garantir autossuficiência e minimizar o impacto ambiental.
Formação intensiva no Novo México
Para dominar a técnica, os Kinzer viajaram até Taos, no Novo México, onde receberam formação com os criadores do método. Regressados ao Oregon, garantiram o financiamento bancário e as licenças camarárias para avançar com a obra.
A engenharia por trás dos resíduos
O projeto exigiu um volume impressionante de materiais em fim de vida. A base da construção assentou em 8.000 latas de alumínio e 1.300 pneus em segunda mão.
A estes elementos juntaram-se centenas de garrafas de vidro e grandes quantidades de madeira recuperada. Cada resíduo assumiu uma função estrutural ou de isolamento térmico.
- Pneus: Preenchidos com terra batida, serviram para erguer as espessas paredes exteriores.
- Latas e garrafas: Foram utilizadas nas divisórias interiores e incorporadas nos detalhes arquitetónicos da moradia.
Autossuficiência hídrica e energética
A casa opera de forma quase independente das redes públicas. O abastecimento de água depende inteiramente de um sistema de recolha de águas pluviais, canalizado para uma cisterna própria.
A eletricidade para alimentar a iluminação e os eletrodomésticos provém de um conjunto de painéis solares instalados no telhado.
O isolamento térmico da estrutura é tão eficiente que uma única botija de gás propano consegue alimentar a cozinha durante um ano inteiro. Este nível de eficiência valeu aos Kinzer o prémio “Alice Soderwall Reuse and Waste Prevention”, atribuído pela Associação de Recicladores do Oregon.
