A extensão de território consumida pelas chamas em Portugal sofreu uma descida acentuada de 74% nos primeiros oito meses do ano face ao mesmo período do ano anterior. Até ao final de agosto, o fogo destruiu cerca de 67 mil hectares em todo o país.
O número representa um recuo significativo face aos 254 mil hectares registados no período homólogo, de acordo com dados provisórios apurados pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF).
Bombeiros fazem o rescaldo em Massadas, em Águeda, após a passagem do incêndio que começou em Vouzela.
Meteorologia favorável travou avanço dos fogos
O alívio na devastação florestal resultou sobretudo das condições climatéricas atípicas sentidas ao longo do verão. A ocorrência de chuva e a persistência de temperaturas amenas durante o mês de agosto revelaram-se decisivas para travar a propagação dos incêndios rurais.
Ainda assim, caso o balanço provisório do ICNF se confirme em definitivo, este surge como o quinto pior ano em área ardida desde 2016, período negro marcado pelos incêndios de Pedrógão Grande.
Concentração de ocorrências no Norte e mudança estrutural
O Norte do país concentrou a grande maioria das ocorrências registadas no dispositivo de combate. O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, António Nunes, sublinha que as condições atmosféricas da segunda quinzena de agosto foram determinantes para conter os teatros de operações.
O responsável aponta também para a necessidade contínua de alterar comportamentos na gestão do espaço rural, nomeadamente na limpeza de terrenos. António Nunes estima que serão necessários cerca de dez anos para concretizar uma transformação global e duradoura no território nacional.

