De Empacotador de Supermercado a Estrela: Como Bad Bunny Conquistou o Topo Global da Música

Bad Bunny atua ao vivo com óculos escuros e microfone na mão num palco com luzes vermelhas

A origem no SoundCloud

Benito Antonio Martínez Ocasio não foi desenhado por executivos de uma grande editora. A sua caminhada começou de forma rudimentar no município de Vega Baja, em Porto Rico.

Até 2016, a sua rotina estava longe do estrelato. Benito dividia o tempo entre o curso de Comunicação Audiovisual na Universidade de Porto Rico, em Arecibo, e o trabalho como empacotador num supermercado da cadeia Econo.

Durante as noites, produzia as próprias faixas. Gravava as vozes no seu quarto e publicava os resultados diretamente na plataforma SoundCloud, sem qualquer equipa de promoção ou relações públicas.

O ponto de rutura: “Diles”

A plataforma de streaming independente serviu como o principal motor da sua descoberta. O momento decisivo aconteceu no verão de 2016, quando publicou a faixa “Diles”.

A canção gerou um volume de tráfego invulgar para um artista desconhecido. Os números rapidamente captaram a atenção do produtor porto-riquenho DJ Luian, uma figura estabelecida na indústria.

O contrato com a Hear This Music

DJ Luian agiu com rapidez. Ofereceu a Benito um contrato com a sua editora independente, a Hear This Music, introduzindo-o na elite do reggaeton e do trap latino.

Foi neste momento que assumiu oficialmente o nome Bad Bunny. A alcunha teve origem numa fotografia da sua infância, onde surgia vestido com um fato de coelho a exibir uma expressão zangada.

A invasão do mercado norte-americano

Sob a estrutura da Hear This Music, Bad Bunny lançou o single “Soy Peor” no final de 2016. O tema tornou-se viral e consolidou a sua assinatura vocal arrastada e melancólica.

No ano seguinte, a estratégia assentou num volume massivo de colaborações. O artista associou-se a nomes de peso como J Balvin, Ozuna e Farruko, dominando rapidamente as rádios de toda a América Latina.

A transição para o mercado dos Estados Unidos materializou-se em 2018. A colaboração com Cardi B e J Balvin em “I Like It” catapultou-o para o primeiro lugar da tabela Billboard Hot 100.

Poucos meses depois, editou “MIA” em conjunto com o rapper Drake. O facto de o canadiano cantar a faixa inteiramente em espanhol provou a dimensão da influência que Bad Bunny já detinha.

O rompimento e o controlo criativo

Apesar do mediatismo, a relação com a Hear This Music estava fraturada. A editora insistia no modelo de lançamento contínuo de singles e recusava financiar um álbum de estúdio completo.

Bad Bunny abandonou a estrutura de DJ Luian e assinou com a Rimas Entertainment. A manobra permitiu-lhe editar o seu álbum de estreia, “X 100pre”, lançado de surpresa na véspera de Natal de 2018.

A decisão validou a sua visão. Sem fazer concessões ao mercado de língua inglesa nos seus projetos a solo, impôs a cultura porto-riquenha nas métricas globais e definiu um novo paradigma na música pop.

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