A Noruega atravessa um momento de transição histórica marcado pelo luto e pela incerteza. Com a morte do rei Harald V, aos 89 anos, o seu filho Haakon VIII assumiu o trono norueguês. No entanto, o dia que assinalou o início oficial do novo reinado ficou ensombrado pela ausência inesperada da rainha Mette-Marit.
A rainha Mette-Marit e o rei Haakon da Noruega em representação oficial.
A mulher do novo monarca falhou a presença no Parlamento (Storting) na terça-feira, 1 de setembro. O momento exigia o juramento solene do rei perante a Constituição e as leis da Noruega, mas a cadeira da rainha permaneceu vazia devido a complicações clínicas.
O comunicado do Palácio Real
A Casa Real norueguesa viu-se obrigada a justificar a quebra no protocolo perante a nação. O motivo prende-se com o complexo transplante de pulmão a que Mette-Marit foi submetida em junho deste ano.
A monarca enfrentou um agravamento repentino do seu estado de saúde no dia da cerimónia.
“É frequente que surjam complicações após um transplante de pulmão. A Rainha tem tido alguns problemas desde a operação, incluindo hoje”, confirmou a instituição num comunicado oficial. A diretriz médica determinou que a monarca permanecesse sob vigilância apertada durante todo o dia, impossibilitando a ida ao Storting.
Viagem de urgência a Oslo
A situação gerou alarme redobrado poucas horas após o juramento de Haakon VIII. O próprio rei foi visto ao volante a conduzir a mulher de urgência para o Hospital Nacional de Oslo.
Esta é a mesma unidade de saúde onde a rainha realizou o transplante e cumpriu grande parte dos tratamentos recentes. Mais tarde, os fotógrafos locais registaram a saída de Haakon do complexo hospitalar.
O percurso de recuperação de Mette-Marit tem sido pautado por recaídas constantes.
O monarca abandonou o hospital na mesma viatura em que chegou. Desta vez, Mette-Marit permaneceu longe dos olhares públicos, viajando resguardada no banco traseiro do carro real.
O histórico clínico de Mette-Marit
O calvário médico da rainha remonta a 2018, ano em que foi diagnosticada com fibrose pulmonar. A doença degenerativa comprometeu progressivamente a sua capacidade respiratória ao longo dos últimos anos.
Haakon e Mette-Marit num evento oficial antes do transplante da rainha.
O avanço implacável da patologia forçou a sua entrada na lista de espera para transplante pulmonar. A intervenção cirúrgica de substituição decorreu no Rikshospitalet, na capital norueguesa, há menos de três meses.
As equipas médicas consideraram o procedimento cirúrgico inicial um sucesso. Contudo, o pós-operatório impôs semanas de internamento rigoroso para ajuste farmacológico e controlo de rejeição dos novos pulmões, ditando agora um violento revés físico no dia em que o país aclamava o seu marido como novo rei.




